segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Onde investe um dos maiores fundos imobiliários do país

Com os preços em alta, a Prosperitas prefere construir seus imóveis e evita torres de escritórios e residências do Minha Casa, Minha Vida.

Divulgação/EXAME.com
Prosperitas: investimento em centro de distribuição em Campinas
Centro de distribuição da Prosperitas em Campinas: área de logística vai receber mais investimento
Com cerca de 3 bilhões de reais sob gestão e 1,1 milhão de metros quadrados em áreas imobiliárias para locação, a Prosperitas é um dos maiores fundos de investimento em imóveis do Brasil. O primeiro fundo da empresa foi lançado em 2003 e, desde então, deu um retorno de cerca de 25% ao ano. Resultados como esse, bem superiores à média do segmento imobiliário, fizeram com que a empresa passasse a ser procurada por investidores estrangeiros. Neste mês, a Prosperitas lançou oficialmente seu terceiro fundo, que captou 1 bilhão de reais.
Em entrevista a EXAME.com, Luciano Lewandowski, sócio da Prosperitas, diz que a estratégia para montar um portfólio de investimentos em um momento de boom imobiliário e preços salgados é construir ela mesma os imóveis que farão parte do fundo. "É difícil investir nos imóveis já construídos porque o dono do terreno já ganhou muito, o construtor já ganhou muito e o incorporador quer ganhar muito. O que a gente sempre se pergunta é se ainda haveria espaço para o investidor ganhar muito. Na maioria dos casos, nós achamos bem arriscado." Para quem também acha que os preços estão na estratosfera, fica a dica de sondar a viabilidade de construção de um imóvel em determinada região.

Lewandowski também acha que o momento é ruim para investir em torres de escritórios no Rio de Janeiro e em São Paulo e que o programa Minha Casa, Minha Vida entregará muito menos do que promete. A Prosperitas planeja direcionar até 90% dos recursos do novo fundo para loteamentos para a construção de casas, shopping centers principalmente no Norte e no Nordeste e centros de distribuição e galpões industriais. Na entrevista abaixo, ele explica as estratégias:

EXAME.com - O mercado imobiliário brasileiro passou por um boom nos últimos anos. Como as pessoas físicas podem tentar lucrar com imóveis?

Luciano Lewandowski - Culturalmente o brasileiro tende a investir em renda fixa por causa dos juros altos. Mesmo no mercado imobiliário, o investidor prefere imóveis reais. A própria Prosperitas não investe em papéis imobiliários lastreados em receitas de aluguéis ou que possam se valorizar com o bom momento do mercado imobiliário. Mas acho que, para as pessoas físicas, aplicar em Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e fundos imobiliários pode ser bem interessante. Eu mesmo, como pessoa física, já ganhei algum dinheiro com CRIs. O segredo é selecionar muito bem os projetos ou os gestores. Tem pouca gente que sabe trabalhar com fundos imobiliários no Brasil. Eu gosto da Brazilian Finance & Real State e do Credit Suisse Hedging-Griffo. Acho que eles têm um histórico bom de projetos e sabem ganhar dinheiro com isso. O problema é que, com o crescimento desse mercado, vão aparecer muitos gestores de fundos imobiliários com pouca experiência. A pessoa física também deve pensar que não é tão fácil vender seus papéis imobiliários quanto sair de um investimento em títulos públicos e vender ações. Mesmo os fundos imobiliários com quotas negociadas em bolsa só são uma boa opção hoje para quem deseja comprar volumes pequenos de quotas. Ninguém consegue vender uma posição de 50 milhões de reais em um fundo imobiliário rapidamente. Mas os fundos também têm características interessantes. A possibilidade de retorno mais alto que a renda fixa e a isenção de IR para pessoas físicas são algumas delas.
EXAME.com - Como a Prosperitas seleciona um imóvel que fará parte do portfólio?
Lewandowski - Gostamos de construir nós mesmos os empreendimentos em que vamos investir. Somos o único fundo que atua dessa maneira no Brasil. O que nos leva a fazer isso é que avaliamos que muitos imóveis estão com preços exagerados. É difícil investir nos imóveis já construídos porque o dono do terreno já ganhou muito, o construtor já ganhou muito e o incorporador quer ganhar muito. O que a gente sempre se pergunta é se ainda haveria espaço para o investidor ganhar muito. Na maioria dos casos, nós achamos bem arriscado.

EXAME.com - O fundo acaba de captar mais 1 bilhão de reais para investir. Que tipos de imóveis terão prioridade?

Lewandowski - Nosso terceiro fundo vai investir principalmente em loteamentos para residências em cidades do interior do Brasil, em shopping centers no Norte e Nordeste e em centros de distribuição em cidades que carecem de logística.

EXAME.com - Na área de loteamentos, o que está por trás da estratégia?

Lewandowski - Nessa área residencial, está todo mundo olhando para o programa Minha Casa, Minha Vida. Mas a quantidade de casas entregue dentro do programa é bem menor do que foi prometido pelo governo ao mesmo tempo em que há uma quantidade grande de empresas de olho no mercado. Então nós estamos olhando para os lados. Queremos fazer loteamentos que permitam a construção de muitas casas. Às vezes, esse também é um negócio complicado. Não é raro termos de enfrentar a concorrência de investidores locais e dificuldades com a prefeitura para aprovar projetos. Mas conseguimos fazer loteamentos grandes em Campinas e Brasília, por exemplo. Esse é um segmento que vai representar entre 25% e 30% do nosso novo fundo.

EXAME.com - E em que tipo de shoppings a Prosperitas aposta?

Lewandowski - O segmento de shopping centers também vai ficar com até 30% dos recursos. Preferimos construir nas cidades do Norte e do Nordeste porque são para essas regiões que empresas tradicionais como Iguatemi ou Multiplan estão olhando. Nós achamos que os dois principais mercados, que são Rio de Janeiro e São Paulo, estão um pouco saturados. Pense quantos shoppings existem num raio de 5 km daqui [do prédio da Editora Abril, no bairro paulistano de Pinheiros]. Uns cinco, não é verdade? Haveria demanda por mais lojas nessa mesma região? Então por que não olhar mais para o resto do país?
 

EXAME.com - Você também citou o interesse em centros de distribuição, certo?

Lewandowski - Há uma grande carência de investimentos em logística no país. Achamos que as boas oportunidades estão nas cidades com mais de 1 milhão de habitantes, onde há demanda para um grande centro de distribuição ou galpões industriais. São Paulo e Campinas, por exemplo, são cidades em que vamos ter mais área locável em centros de distribuição.
EXAME.com - A Prosperitas não vai incluir imóveis comerciais e lajes de escritórios nesse novo fundo?
Lewandowski - Estamos reduzindo nossos investimentos em prédios de escritórios. Hoje a concorrência é maior do que a demanda nesse mercado. A procura por escritórios está muito concentrada em empresas no Rio de Janeiro e em São Paulo. Nessas cidades, no entanto, há empresas dispostas a pagar preços que nós não aceitamos por terrenos, por exemplo. Também achamos que muitos empreendimentos serão entregues em São Paulo nos próximos anos. Se a economia tiver algum soluço, há um risco considerável de que esses empreendimentos fiquem sem inquilinos. Em Barueri [região metropolitana de São Paulo], achamos que o risco é ainda maior. A oferta vai crescer muito ali. O problema é que as empresas vão para Barueri por causa dos incentivos fiscais oferecidos pela prefeitura. Agora imagine o que aconteceria se algum dia a Justiça determinasse que esses incentivos fiscais são ilegais? O que eu diria para os investidores que colocaram dinheiro em nosso fundo? Meu trabalho como gestor é não correr esse risco.

EXAME.com - Esse é um mercado que tem atraído um número maior de investidores, inclusive do setor financeiro. Por que eles estão tão otimistas e vocês, não?

Lewandowski - Um empreendimento que começamos a planejar hoje só estará pronto para ser locado daqui a três anos. Não adianta olhar para o mercado paulista hoje, ver que há uma grande demanda por escritórios e, partir disso, tomar a decisão de construir outro prédio É necessário enxergar o que o mercado vai querer locar daqui a três anos. Eu ainda não entendi direito por que os bancos estão entrando mais agressivamente no mercado imobiliário. Também não sei se eles entenderam que imóveis não são como bolsa, em que, ao menor sinal de perigo, dá para sair correndo. Esse é um negócio em que o ciclo é mais longo.

EXAME.com - O risco de saturação seria igual em São Paulo e no Rio?

Lewandowski - Acredito que no Rio haverá menos lançamentos por falta de espaços para a construção. O problema é que lá, quando surge uma chance, o preço é alto. Em 2006, eu consegui comprar dois prédios no Rio que hoje estão alugados para a Caixa Econômica Federal e para o Banco do Brasil. Mas dei alguma sorte nas transações. Os prédios pertenciam a uma empresa que já havia rejeitado várias de minhas propostas. Só que em determinado momento, eles precisaram de dinheiro para tocar um projeto na área deles. Quando me procuraram, rapidamente eu fechei o negócio. Mas oportunidades como essa não aparecem sempre. Também é importante dizer que no Rio há bem menos inquilinos para prédios de alto padrão que em São Paulo. Nas demais capitais, o problema é o mesmo. Podemos construir um ou outro prédio, mas não é bom ficar na mão de um só inquilino.

EXAME.com - E quando uma empresa encomenda a construção de um prédio e já garante um contrato de locação de longo prazo? Essa não pode ser uma maneira interessante de vocês atuarem no mercado de escritórios?

Lewandowski - Acho que "build to suit" também não é para nós. Em geral, a empresa convoca vários incorporadores e faz um leilão para ver quem construiria determinado empreendimento e cobraria o menor aluguel. As margens cobradas pelo vencedor acabam sendo muito baixas. Para um incorporador com ações em bolsa, às vezes vale a pena porque ele precisa de volume. Eles precisam lançar sempre mais para convencer o mercado. Agora eu estou em busca de rentabilidade. A chance de entrarmos num "build to suit" só é grande se o terreno for nosso e conseguirmos desenvolver o projeto com uma margem atrativa.
  EXAME.com - Quem são os principais investidores da Prosperitas?
Lewandowski - Investimos apenas dinheiro de estrangeiros. A vantagem é que não precisamos compartilhar a decisão de investimento com ninguém. O estrangeiro não sabe o que está acontecendo aqui e nos contrata justamente para que nós tomemos a decisão por ele. Já o investidor brasileiro quer participar dessa decisão, o que muitas vezes atrapalha.

EXAME.com - Está mais fácil captar dinheiro no exterior para investir em imóveis no Brasil agora que o país está na moda?

Lewandowski - Não tivermos dificuldades em captar dinheiro nos últimos anos, mas temos um histórico de rentabilidade que nos ajudou a construir uma boa reputação. Até recusamos parte da demanda do nosso último fundo porque não teríamos onde investir tudo. Mas quem trabalha com investidores estrangeiros sabe que o que assusta eles é mudança de regras. E é exatamente isso que o governo tem feito nos últimos tempos. O IOF [Imposto sobre Operações Financeiras] para a renda fixa subiu três vezes no último ano. Foi de 0 para 2%, depois de 2% para 4% e agora de 4% para 6%. Como FIPs (fundos de investimento em participações) como os nossos também são classificados como de renda fixa, nosso investidor acaba pagando. Aqui acho que há duas questões importantes. Primeiro, não consigo entender como meu negócio pode ser considerado investimento em renda fixa com retornos que variam tanto. Se a intenção era taxar o investimento de curto prazo que pressiona o dólar, eles erraram o alvo. O outro problema é explicar para o estrangeiro o que está acontecendo, se não haverá mais medidas. Ficou bem difícil entregar a rentabilidade que eles estavam esperando porque o IOF vai comer 6% do que eles investirem no Brasil logo na entrada. Sei de um fundo de investimentos em imóveis que está em fase de captação e que tem tido dificuldades para levantar dinheiro por causa disso.

EXAME.com - Os fundos da Prosperitas têm um prazo de duração?

Lewandowski - Nossos fundos trabalham com um prazo de dez anos para devolver o dinheiro para os investidores. Então é muito difícil que num prazo tão longo o mercado imobiliário não passe por um ciclo de alta. Nesses momentos, tentaremos aproveitar para se desfazer de alguns ativos com um bom lucro.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Custo da construção desacelera para 0,37% em janeiro, diz FGV

Em janeiro, o brasileiro gastou 0,37% a mais para construir, segundo informações do INCC-M (Índice Nacional de Custo da Construção) da FGV (Fundação Getulio Vargas), divulgado nesta quarta-feira (26).
A variação é 0,22 ponto percentual menor do que a registrada em dezembro de 2010, quando ficou em 0,59%. Nos últimos 12 meses, o INCC-M, que é calculado com base nos preços coletados entre os dias 21 do mês anterior e 20 do mês atual, tem variação acumulada de 7,42%.
Grupos
No primeiro mês do ano, o grupo Materiais e Equipamentos e Serviços registrou alta de 0,42%, resultado superior ao apurado um mês antes, de 0,13%. A maior contribuição para o resultado do grupo veio do subgrupo Serviços, que passou de 0,25% para 1,21% no período analisado.
O subgrupo Materiais e Equipamentos também apresentou aceleração em janeiro, passando de 0,09% para 0,22%.
No que diz respeito ao grupo Mão de Obra, a variação foi de 0,32% este mês, frente a 1,08% no último mês do ano passado. Aqui, a maior contribuição para o resultado veio do item especializado, cujo índice ficou em 0,51%.
Influências
No geral, as maiores influências positivas para o resultado apurado no primeiro mês de 2011 foram as seguintes: vale transporte (de 0,05% para 4,87%), condutores elétricos (de 1,91% para 4,11%) e taxas de serviços e licenciamentos (de 0,00% para 2,85%).
Por outro lado, as maiores influências negativas foram de materiais para instalação hidráulicas (de 0,38% para -0,15%), madeira para telhado (de 0,42% para -0,11%) e placa cerâmicas pára revestimento (de 0,54% para -0,16%)
Capitais
Considerando as sete capitais estudadas pela FGV no primeiro mês de 2011, três apresentaram aceleração, conforme mostra tabela a seguir:
CidadeDezembro de 2010 (%)Janeiro de 2011 (%)
Salvador0,090,26
Brasília0,280,10
Belo Horizonte4,161,78
Recife0,680,46
Rio de Janeiro0,140,29
Porto Alegre0,180,12
São Paulo0,050,17


Fonte: Casa e Imóveis - UOL

Legislação que modernizou lei do inquilinato completa primeiro ano de vida




Para Secovi-SP, Lei nº 12.112, que completou um ano de vigência em 25 de janeiro, agilizou a tramitação das ações de despejo por falta de pagamento.


Completou um ano de vigência, no dia 25 de janeiro, a Lei n° 12.112, que aperfeiçoou a Lei do Inquilinato. “Essa legislação estava fazendo 18 anos e era hora de atualizá-la, de modo que situações não previstas na lei de 1991 pudessem ser contempladas”, afirma Francisco Crestana, vice-presidente de Gestão Patrimonial e Locação do Secovi-SP (Sindicato da Habitação).

“A Lei nº 12.112 agilizou a tramitação de ações de despejo por inadimplência”, diz o advogado Jaques Bushatsky, diretor de Legislação do Inquilinato do Sindicato. Segundo dados levantados pela entidade no Fórum paulistano, de janeiro a novembro de 2010 as ações por falta de pagamento caíram 16,8% em comparação com idêntico período de 2009. Como agora os processos são mais ágeis, esclarece Bushatsky, os inadimplentes se deram conta que é melhor fazer acordo com os locadores a correr o risco de ser despejado em pouco tempo.

Outra vantagem é a possibilidade de o fiador romper o vínculo com a locação após o final do contrato, quando ele passa a vigorar por prazo indeterminado, o que não era permitido anteriormente. “Com a modernização da lei, o fiador pode se desobrigar caso o locatário se divorcie”, completa, sobre mais uma vantagem para os fiadores.

Um dos grandes benefícios da legislação que está completando um ano de vida, na opinião do diretor do Secovi-SP, é premiar os bons pagadores. “A maioria dos locatários paga o aluguel em dia, mas tem sido obrigada ao longo do tempo a apresentar garantias locatícias (fiador, seguro-fiança, depósito de até três meses), instrumentos que em tese deveriam ser exigidos apenas de pessoas com histórico de crédito negativo”, diz. Segundo o advogado, com a agilização do processo de despejo, abre-se a perspectiva de os contratos poderem ser celebrados sem qualquer garantia.



Fonte: SECOVI/SP

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Bem vindos ao nosso novo endereço.

Saudações amigos!

Sejam todos bem vindos ao nosso novo endereço. Estamos de casa nova e de disposição redobrada para produzir novos textos para compartilhar com todos os que se interessam pelo que acontece no mundo imobiliário e afins.

Como sempre, estarei esperando por seus comentários para que nossa interação seja mais interessante e produtiva. Contribua com suas observações, críticas e análises sobre os temas que vamos desenvolver.

Para reiniciar nossas intervenções, gostaria de propor uma consideração ao texto abaixo.

* Por Claudia Pereira – Revista Marketing (http://www.revistamarketing.com.br/materia.aspx?m=459)
Planos de marketing de incorporadoras, construtoras e imobiliárias atendem os consumidores mais exigentes
Projetos de comunicação desenvolvidos por incorporadoras, construtoras, imobiliárias e agências estão cada vez mais refinados para atender consumidores mais exigentes e atentos ao mercado imobiliário.
Foi-se o tempo em que para vender empreendimentos imobiliários bastava colocar anúncios em grandes jornais e revistas e promotoras nas ruas com panfletos e sinalizadores. Não foi só o poder de compra do consumidor que cresceu, mas também as exigências que o levam a adquirir uma casa, apartamento ou escritório. Atualmente, para se diferenciar das inúmeras opções, construtoras, incorporadoras e imobiliárias precisam oferecer mais que a ideia de “um teto para viver”. Claro que o conceito que gira em torno do “sonho da casa própria” sempre existirá, no entanto o marketing entra como ferramenta importante para mostrar aos possíveis clientes que os empreendimentos não são todos iguais.
Certamente a localização do imóvel é um aspecto de grande relevância no momento da escolha, porém, o número de ofertas em um mesmo bairro, ou até em uma mesma rua, é intenso. É nesse momento que entra a diversificação das empresas, que utilizam linguagens e canais diferenciados para se aproximar do público-alvo.
Para Carla Fernandes, gerente geral de comunicação da Cyrela, o fato de o cliente ter mais conhecimento do mercado e do produto é que o torna tão exigente. “Esse cliente é questionador, sabe o que quer. O nosso trabalho é entendê-lo cada vez mais para oferecer o que ele deseja. Trabalhamos as ferramentas de comunicação com planejamento específico para cada empreendimento. Os motivos que levam a decidir uma compra de um apartamento na Mooca são diferentes daqueles que levam alguém a comprar no Morumbi. Sendo assim, a comunicação e os veículos utilizados precisam perseguir os hábitos do target”, diz a executiva.
O trabalho da incorporadora começa muito antes de o possível comprador ir ao estande de vendas; tem início com ações de internet, de marketing direto e sampling (distribuição gratuita de brindes e produtos) direcionadas aos vizinhos do futuro empreendimento, “além de capacitar e motivar nossa força de vendas para que esses profissionais sintam-se preparados para abordar a carteira de clientes”, explica Carla. Tudo isso alinhado com comunicação em mídia de massa, como jornais, revistas, tevê aberta e a cabo, rádio e cinema. Como inovar é a regra, a Cyrela este ano realizou uma ação dentro da São Paulo Fashion Week, principal evento de moda da América Latina. Como patrocinadora do desfile da marca Iódice, a empresa instalou seu logotipo no backdrop do camarim e promoveu a distribuição de kits para os convidados do desfile, além de um presente especial na ação pós-desfile para aproximadamente cem convidados exclusivos.
De acordo com a gerente da Cyrela, o ponto mais importante no planejamento de comunicação “é sempre respeitar o conceito, que é a alma do produto, e o público do empreendimento que estamos lançando. Isso definido, partimos para buscar a inovação em cada ação: na comunicação impressa (folhetos em geral), no marketing de guerrilha, nos eventos, no plano de mídia, nas ações promocionais. Buscamos inovar sempre. Já fizemos esculturas de areia no estande, torneio de futebol entre escolas da região do empreendimento, festival de comida americana, brasileira e japonesa, entre outros. Já fizemos exposição de brinquedos antigos, de motos e por aí vai”, comenta a gerente da Cyrela.
Mas será que existe um tipo de ação que nunca falha? Para Carlos Valladão, presidente da Eugênio Marketing Imobiliário, o que sempre dá certo é o trabalho de forma integrada, ou seja, atuar em um conjunto de ações que dão força a um empreendimento. “Cada produto é único, tem uma especificidade. Não acredito em generalidade e para cada lançamento é necessário uma nova estratégia. No entanto, existem alguns pontos que precisam sempre ser trabalhados, como o endomarketing com os corretores, ter um ponto de vendas maravilhoso em termos de comunicação e tematização e estar nas mídias possíveis, além de ações promocionais e na internet”, comenta Valladão.
No caso da agência, o trabalho vai além de desenvolver uma comunicação criativa: tem a ver também com a criação do próprio produto, onde a empresa se propõe a fazer a identificação do terreno, definir o tipo de projeto a ser construído, direcionar público-alvo, qual o apelo de vendas, entre outros. “Conhecemos o produto como um terreno e um desenho de empreendimento. Isso do ponto de vista do marketing é nada. Muitas vezes ajudamos a construtora a vocacionar o produto”, comenta o executivo da Eugênio.
Há 20 anos no mercado e com mais de 1.200 lançamentos no portfólio, a agência pretende ter um crescimento em torno de 15% a 20% em relação ao ano passado. Dentre os lemas da empresa está a ideia de “despertar o desejo de uma pessoa que nem sabe que quer comprar um imóvel. Proporcionar a ela uma experiência mágica. Por isso, boa parte das nossas ações é para surpreender”, diz Valladão. Para isso, a equipe acredita que o trabalho com a vizinhança é extremamente importante e já realizou desde passeios ciclísticos, envio de presentes, degustação de vinhos e sorvete, até conhecer o empreendimento em primeira mão. “De repente, isso parece algo muito simples, mas que faz muito sentido para determinado empreendimento”, explica o presidente da empresa.  
No Rio de Janeiro, a agência Bloom Design também faz um trabalho bastante focado em marketing imobiliário, trabalhando desde os nomes dos empreendimentos até o design nos estandes, passando por trabalho de endomarketing com os corretores. A diretora de criação da agência, Carolina Azevedo, relembra duas ações que funcionaram particularmente bem para dois empreendimentos distintos: uma foi a distribuição de brindes, como almofadas e balas anti-stress para um projeto onde o foco era a qualidade de vida; a outra, a distribuição de picolés para divulgar uma planta que valorizava a proximidade com a praia. 
Já para os corretores, a agência desenvolveu um projeto de estímulo, com motivação de vendas, quizzes, brincadeiras e ações mais descontraídas. “No Carnaval levamos sambistas e passistas de uma escola de samba e distribuímos cerveja para os corretores para um empreendimento popular chamado Morada Carioca. Em outro, de alto padrão e sediado em Niterói, o garoto-propaganda era André Marques, e o levamos para a convenção de vendas. Isso teve um resultado bastante positivo”, relembra Carolina.  
Outro que aposta no conjunto de ações planejadas é João Blota, proprietário da agência Urbano, também especializada em comunicação para empreendimentos imobiliários. “Ações planejadas e sincronizadas sempre dão resultado, assim como o emplacamento do local e as ações diretas ao público primário (vizinhos e moradores da região), pois nosso objetivo é simplesmente apresentar o produto, e não vender a localização”, comenta. Para ele, o marketing imobiliário que se conhece hoje é “fruto da inteligência e pioneirismo de Maurício Eugênio, pois antigamente os incorporadores não tinham essa preocupação para conseguir vender seus produtos. Hoje, com o aumento da oferta, qualidade dos empreendimentos e formas de pagamento facilitadas, o cliente fica mais disputado e, consequentemente, cada detalhe torna-se importantíssimo para o sucesso de vendas”.
Dentre os cases de sucesso da Urbano está o Landscape Beira-Mar (para Tecnisa, na cidade de Fortaleza/CE), que foi vencedor do prêmio Master Imobiliário 2009 na categoria estratégia de marketing. “O que fizemos foram ações integradas de above the line (ações publicitárias) e below the line (ações que não utilizam comunicação de massa), ações no exterior e dentro das aeronaves, adesivamos o aeroporto de Fortaleza com estrelas por todo o piso do saguão de desembarque, produzimos um jornal customizado que foi colocado em todos os táxis do aeroporto e nos principais hotéis da cidade. O resultado foi espetacular”, diz Blota, que relembra ainda outro case, o AcquaPlay Santos. “Esse, sem dúvida, foi o case mais especial de que já participei. Utilizamos o programa 3DMAX para criar peixes que falavam com os clientes no estande de vendas e nos comerciais de tevê. Utilizamos um avião puxando uma faixa por todo o litoral sul de São Paulo, ações de surfistas com longboards na areia das principais praias de Santos, além de adesivar mais de 80 bancas de jornal. E o melhor de tudo isso: muitas vendas.”

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A todos um grande abraço e até a próxima!